sábado, 20 de fevereiro de 2010

40 Dias

 

O número quarenta aparece inúmeras vezes na Bíblia. Talvez você ache que ele só tem relação com aquelas pessoas que aparecem como personagens na Bíblia. Porém, isso não é verdade, pois ainda hoje este número nos remete a algo importante.

A última quarta-feira é chamada de quarta-feira de cinzas. É assim conhecida por causa do costume dos cristãos, quecinzas remonta o século XI, de colocar cinzas sobre suas testas para iniciar o período denominado de quaresma.

A Quaresma é um período de 40 dias, nos quais os domingos não são contados, que antecede a Páscoa, ou seja, a Paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. É uma tradição que remonta, com certeza, o século III de nossa era. Há, no entanto, vestígios de sua existência já no século II. Este Arrependimento1 era um período de instrução aos catecúmenos, ou seja, aos novos na fé, tornando-se posteriormente um período de instrução, arrependimento e oração de todos os cristãos.

É precípuo lembrar que Jesus passou quarenta dias sendo provado no deserto e, também, de modo semelhante, o povo de Deus passou quarenta anos sendo depurado para a entrada na terra da prometida. Elias e Moisés também passaram uma quarentena de preparação para a missão. A exemplo destes heróis da fé e do objeto de nossa fé, Jesus, a Igreja também se prepara, nestes quarenta dias, para o evento central da nossa fé: A Ressurreição do Senhor Jesus!

Destarte, durante estes próximos dias reflita, pense e ouça o que Deus quer de você. Utilize este tempo de quarenta dias para fazer uma avaliação da sua vida com Deus, do seu relacionamento com a Igreja e da sua disponibilidade ao Senhor.

Do seu pastor,

Rev. Marcio Tenponi Pacheco

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

PARABÉNS PARA VOCÊ, NESTA DATA QUERIDA....

Feliz aniversário

Neste mês a igreja, mais exatamente no dia 13, comemorará 44 anos de existência. Temos a idade da maturidade e quando olhamos para a nossa igreja vemos que apesar das crises e problemas, estamos vivendo um momento ímpar.

Logo, quero dar meus parabéns, pois o aniversário é nosso, afinal, a igreja só existe quando estamos juntos louvando, adorando, exaltando, ouvindo a voz, servindo ao Senhor! Este mês, por conseguinte, deve ser um mês especial para todos nós. O mês para nos orgulharmos, para celebrarmos ao Senhor, pela a Igreja Presbiteriana em Benfica.

Você está feliz? Temos inúmeros motivos para nos alegrarmos, pois Deus já tem feito coisas tremendas aqui. Pessoas têm suas vidas transformadas, têm alcançado bênçãos grandiosas, têm visto a poderosa manifestação do poder de Deus em suas vidas.

Você vislumbra as grandes maravilhas que Deus tem para fazer através desta igreja? Podemos vislumbrar os bancos cheios de pessoas impactadas pela graça do Senhor. Podemos também ver pela fé pessoas serem alcançadas pelo amor de Jesus. Amor este que não é apenas de palavras, mas com nossas ações sociais e espirituais que as atingirão. Temos a missão de fazer a diferença aqui na comunidade que estamos inseridos.

Por isso, digo mais uma vez: meus parabéns! No entanto, digo também, que não podemos nos acomodar e estagnar pelas conquistas, pois só veremos concretizar tudo o que já vislumbramos e muitos mais do que o próprio Senhor tem preparado para nós, quando nos engajarmos e servirmo-Lo com toda a intensidade de nosso ser.

Do seu pastor,

Rev. Marcio Tenponi Pacheco

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

VIVER PELA FÉ É...

A Palavra de Deus nos fala que “o justo viverá pela sua fé” (Hc 2,4; Rm 1,17). E, por conseguinte, deve ser deste modo que os filhos de Deus, os cristãos, devem viver a sua vida. Viver pela fé. No entanto, a grande questão que permeia as nossas mentes é a seguinte: O que é viver pela fé? Uma importante pergunta para se refletir e a ser respondida por nós. Ainda mais nestes tempos hodiernos, pois temos uma grande miscelânea de “teologias” que por vezes são totalmente incongruentes com a Bíblia. fe

Atualmente parece-me que as pessoas apreendem o viver pela fé como sendo a perspectiva de ver e participar de extraordinários milagres. Será isso? Ou ainda, parece-me que as pessoas entendem que viver pela fé é falar em línguas angelicais, seja lá qual forem os outros nomes dados a isto.

Para não sermos levados por qualquer vento de doutrina, como nos instrui o Senhor (Ef 4,14), é preciso responder a precípua pergunta acima referida a partir da própria Palavra de Deus, que é a nossa única regra de fé e prática. Portanto, voltemos à vida de uma importante personagem da história bíblica, que foi chamado de nosso pai na fé, Abraão (Gl 3,7-9). Este, como bem nota o NT, foi um homem que viveu pela fé.

Destarte, olhemos o início da vida de Abraão (Gn 12,1-9). Nesta passagem vemos três atitudes de Abraão que de fato mostram e ressaltam o que é viver pela fé. Quando olhamos o texto vemos que Deus chama a Abraão e o orienta a sair de sua casa, de sua família, a largar tudo e ir para um lugar que Deus ainda o mostraria.

A primeira atitude de Abraão, um homem que vivia pela fé, foi “partir” (v.4). Mais do que partir, simplesmente, Abraão estava sim OBEDECENDO ao chamado e orientação de Deus. Logo, a primeira marca que define o viver pela fé é a obediência. E você, tem sido uma pessoa obediente a Bíblia?

A segunda atitude de Abraão foi a confiança e dependência absoluta de Deus, pois quando Abraão parte deixando sua família, ele estava também abandonando o único sistema de segurança da época. Abraão colocou toda a sua vida nas mãos de Deus, dependendo dEle em todos os sentidos. No aspecto da segurança contra violência (que já existia naquele época) e no aspecto até de seu futuro. Deus não havia falado para Abraão (v.3) onde era a terra. Falou sim, que mostraria ainda. E você, tem colocado e confiado a sua vida a Deus? Tem dependido totalmente dEle?

Por último, vemos outra atitude importante na vida de Abraão que o marca como um homem que vivia pela fé. Nos vv.7-8 vemos Abraão construindo um altar ao Senhor. Edificar um altar ao Senhor era algo que apontava uma vida cúltica, ou seja, uma vida que buscava cultuar ao Senhor. Então, Abraão era um homem que vivia pela fé porque tinha um relacionamento íntimo e profundo com Deus. E você, tem buscado viver um relacionamento profundo e real com Deus? Tem orado, lido a Bíblia, ido à igreja, sempre ou apenas quando dá ou não tem algo melhor para fazer?

Assim, podemos dizer o que é viver pela fé. Viver pela fé é obedecer, depender e confiar plenamente em Deus e buscar ter um relacionamento profundo com Deus. Será que você tem assim vivido? Mais do que ver coisas extraordinárias, o viver pela fé é marcado por estas três atitudes. Que você as cultive em sua vida!

Do seu pastor,

Rev. Marcio Tenponi Pacheco

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Janeiro o mês da dívida

O mês de Janeiro é um mês um tanto quanto atípico. Neste mês permeiam em nós sentimentos díspares. Isto porque a maioria de nós sente uma grande alegria de iniciar mais um ano, dedívida 1 termos férias, termos novos planos, projetos e sonhos. Entretanto, é neste mês também que nos vemos mais enrolados do que nunca com a quantidade imensa de contas e dívidas.

Esta realidade é tão evidente que vemos nos meios de comunicação reportagens e várias pessoas fornecendo conselhos a respeito deste tema.

Diante de tudo isto, senti em meu coração o desejo de aconselhar você sobre uma dívida também. A dívida que estou falando é a espiritual. A Palavra de Deus nos diz que: Todos pecaram e carecem da glória de Deus Rm 3,23. Destarte, todos estão em dívida com Deus, todos deveriam ser castigados, pois ninguém pode pagar a dívida que todo ser humano tem com Deus.

No entanto, existe uma pessoa que pagou a dívida por nós, em nosso lugar mesmo. Veja, pensando friamente, quantos de nós não gostaríamos que alguém pagasse as diversas dívidas que temos e fizemos no fim do ano passado?

E por incrível que pareça, Jesus pagou a nossa dívida sem nenhum motivo além do amor eterno e incomensurável que Ele tem por nós. Leia Colossenses 2,13-15.

Para nós isto não custou e não custa nada, pois Jesus não cobra nada de nós além de fidelidade, obediência, dedicação, entrega e serviço. Tudo isto, porém, é um privilégio e não uma obrigação, pois quando Jesus pagou a nossa dívida, Ele nos livrou da condenação e do inferno.dividas

Portanto, saiba que apesar de todas as dívidas que você possui hoje,  nenhuma delas era comparada a dívida que você tinha para com Deus. Aquelas você tem como pagar, basta trabalhar e economizar, esta não teria de jeito nenhum e Jesus a pagou! Seja grato e fiel a Ele!

Do seu pastor,

Rev. Marcio Tenponi Pacheco

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sábado, 2 de janeiro de 2010

SINAIS DE UMA VIDA AGRADÁVEL A DEUS

Rev. Richard Baxter

... Veja então se você vive buscando principalmente agradar a Deus ... : você pode descobrir através destes sinais.

jovenadorando 1. Vocês terão mais interesse em entender as Escrituras e em saber tanto o que agrada, quanto o que desagrada a Deus.

2. Vocês terão mais interesse na realização de todos os seus deveres, com o propósito de agradar a Deus e não aos homens.

3. Vocês olharão para seus corações e não só para suas ações; para seus fins e pensamentos; para o seu homem interior e seu nível de espiritualidade.

4. Vocês atentarão para seus deveres secretos, tanto quanto para os públicos e, para aqueles que não são vistos pelos homens, tanto quanto para os que são.

5. Vocês respeitarão suas consciências e não as desprezarão; quando elas lhe mostrarem o desagrado de Deus, isto os inquietará; quando elas lhe mostrarem Sua aprovação, isto os confortará.

6. Suas companhias serão pessoas caridosas e piedosas, que buscam agradar a Deus, e não orgulhosas e ambiciosas, que buscam honra própria, nem ímpias, que desagradam a Deus.

7. Se os homens são agradados ou desagradados, ou a forma com que o julgam, ou como eles o chamam, parecerá um assunto pequeno para você, como o próprio interesse deles, em comparação ao julgamento de Deus. Você não vive para eles. Você pode suportar seus desagrados , censuras, e reprovações, se tão somente agradar a Deus. Estas serão suas evidências.

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O ADVENTO, TEMPO DE REFLETIR E CELEBRAR

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Segundo o calendário litúrgico, hoje a Igreja de Cristo está adentrando num período chamado de advento. Este período consiste de quatro semanas no qual a Igreja, alegrando-se com a primeira vinda de Cristo, antecipa com esperança a sua segunda vinda.

Estas quatro semanas antecedem o fato primordial que revolucionou a história de toda a humanidade e, em especial, a história de cada um de nós que já tivemos um encontro pessoal com Cristo Jesus. O fato que estou me referindo é o Natal, quando nós comemoramos o nascimento dAquele que era, é e há de vir, Jesus Cristo.

Advento quer dizer, literalmente, aparecimento, surgimento, chegada, segundo o dicionário eletrônico Houaiss. É, portanto, o aparecimento de Jesus, dAquele que nos resgatou da prisão do pecado, nos livrou do domínio e da servidão do pecado. E nos tornou filhos de Deus por adoção.

Isto está claro no texto do Apóstolo Paulo aos Gálatas 4,4-7. No advento nós, a Igreja de Cristo, começamos a celebrar o aparecimento, a concretização da promessa de salvação que Deus havia feito através dos profetas. E como diz o texto de Gálatas acima citado, chegou a plenitude do tempo, o momento onde a salvação encarnou-se, onde o unigênito do Pai veio habitar entre nós e nos mostrar o que é ser realmente humano e ao mesmo tempo, mostrar como Deus age.

Neste período, esteja se preparando para celebrar, não apenas os presentes, não apenas o jantar e almoço com a família, mas sim, a vinda dAquele que nos deu o maior bem que poderíamos desejar, a salvação. Viva este período do advento refletindo sobre tudo o que Deus fez, faz e fará na sua vida, pela sua vida e através da sua vida.

Destarte, hoje começamos mais uma vez a viver e lembrar da história da salvação dos seres humanos, em especial, a nossa história da salvação. E ao viver e lembrar disto, sinta, veja e pense que tudo começou e se concretizou por causa de um amor incompreensível por nós. No entanto, um amor que nos toca, transforma e nos faz ver como somos amados e queridos por Deus. Que Deus lhe abençoe!

Do seu pastor,

Rev. Marcio Tenponi Pacheco

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sábado, 14 de novembro de 2009

APAGÃO ESPIRITUAL

Nesta semana vivemos uma experiência diferenciada com o apagão que atingiu vários estados do Brasil, especialmente o Rio de Janeiro.escuridao

Eu estava dirigindo quando aconteceu e a sensação foi muito curiosa, pois até mesmo a rádio que ouvia no momento ficou muda. Juro que um dos pensamentos que permeou minha mente foi, Jesus está voltando?

Quando percebi que ainda não era a volta de Jesus e que apenas estava faltando luz, fiquei mais tranqüilo. No entanto, quando sintonizo na rádio que toca notícia, ouvi que estava acontecendo um apagão em vários locais do país.

É impressionante o que acontece quando falta luz. Um verdadeiro caos se estatui. Ficamos sem direção, perdidos. Ademais, ficamos impossibilitados de fazer a grande maioria das coisas ou até ficamos estagnados, parados, sem o que fazer. Parece que com as trevas oriundas da falta de luz, o grande vazio que tamponamos com as várias atividades aparece de forma incontestável. A alternativa que muitos assumem é dormir que podemos até considerar uma grande metáfora da morte.

Foi neste emaranhado de pensamentos que me lembrei do texto: De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida (João 8:12). Duas coisas aconteceram, a saber: em primeiro lugar fiquei apaziguado, pois afinal Jesus, o verbo encarnado, é a luz da minha vida até mesmo no apagão, pois Jesus ainda continuava sendo a luz da minha vida. Em segundo lugar lembrei-me dos que estão perdidos, sem luz, sem direção, sem Deus no mundo. Estes vivem continuamente no apagão espiritual.sol

Destarte, temos dois grandes ensinamentos diante de nós. Jesus é a nossa luz e quando vivemos com Ele não andaremos nas trevas, mesmo quando o apagão acontece. Além deste ensinamento, temos o outro que diz respeito a nossa missão de anunciar esta luz que nos ilumina para aqueles que ainda vivem no apagão espiritual.

Do seu pastor,

Rev. Marcio Tenponi Pacheco

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Os Princípios da Reforma – parte II

Continaundo nossa explanação sobre os princípios da Reforma, vamos ao segundo:

 Cristo na Cruz imagem do filme

2º Princípio: Solus Christus - “Somente Cristo” ou a suficiência e exclusividade de Cristo

1) O ensino da ICAR

A respeito de Jesus Cristo, o ensino da ICAR é basicamente igual ao dos reformadores sobre a encarnação, nascimento virginal, divindade, morte vicária e ressurreição. O problema surgiu porque os reformadores se levantaram contra os ensinos da ICAR sobre o perdão dado pelo Papa, o culto a Maria instituído pela igreja em 431, o culto às imagens instituído em 787, a canonização dos santos instituído em 933 e etc.

Estes ensinos caracterizavam, como ainda caracterizam, o afastamento da ICAR da Palavra de Deus, do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Isto porque ao cultuarem Maria, os santos e imagens, eles os colocam como mediadores entre Deus e o ser humano. É verdade que teologicamente a ICAR sustenta que não há adoração a Maria e aos Santos, há veneração. Não obstante, basta ouvirmos atentamente as falas dos fiéis nas romarias e outras atividades afins que verificamos um verdadeiro culto aos santos e a Maria, colocando-os verdadeiramente como mediadores entre os seres humanos e o Senhor.

O culto a Maria talvez seja um dos aspectos mais fortes do catolicismo hodierno, pois a ICAR entende que Maria sendo mãe de Jesus Cristo, torna-se a mãe do próprio Deus e, por conseguinte, a mãe de toda a igreja. Ainda pior é colocá-la como co-redentora, ou seja, Jesus não é suficiente na redenção, porque Maria é participante e integra a redenção do ser humano. Apesar de isto não ser ainda um dogma oficial da ICAR, na prática é o que existe e acontece.

Isto é tão sério que para a ICAR Maria é considerada uma pessoa que nasceu sem pecado, isenta de pecado e, por conseguinte, sem a necessidade de salvação por meio de Jesus Cristo. Isto porque ela é a mãe de Deus. Sendo assim, ela também é uma intercessora para que o ser humano seja salvo.

2) O ensino da Reforma

Lutero – É verdade que Lutero inicialmente não rompeu totalmente com os ensinos da ICAR, porém, em relação ao perdão dado pelo Papa, Lutero foi radical. Olhemos as teses 5 e 6: O papa não quer e não pode dispensar outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais. 6ª Tese O papa não pode perdoar dívida senão declarar e confirmar aquilo que já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos que lhe foram reservados.

Os reformadores no geral se opuseram a elevação de qualquer pessoa ao status de mediador entre Deus e o ser humano, inclusive Maria e os santos. Isto porque a Palavra de Deus ensina claramente que Jesus é o único mediador e redentor, não há salvação, não há nada existente, ou que já existiu, que possa se ligar a Ele ou substituí-Lo.

Alguns textos importantes sobre este ensino bíblico: 1 Tm 2,5; Hb 7; At 4,12; At 14,15; 1Co 2,2; Jo 14,6

3) Implicações hodiernas

Hoje este princípio precisa ser lembrado, pregado e vivido, pois o ecumenismo que permeia a nossa sociedade vai de encontro exatamente com a suficiência e exclusividade da obra da redenção de Jesus Cristo. Ao pregarem que é possível que outra pessoa seja um caminho para se alcançar a Deus, estamos ouvindo algo que vai de encontro com o princípio reformado o qual reflete o ensino das Escrituras.

Conclusão

Para concluir, vamos mostrar o que a Confissão de Fé de Westminster fala a respeito da Bíblia:
Aprouve a Deus em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, o Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e Salvador de sua Igreja, o Herdeiro de todas as coisas e o Juiz do Mundo; e deu-lhe desde toda a eternidade um povo para ser sua semente e para, no tempo devido, ser por ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado.

O Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai e igual a ele, quando chegou o cumprimento do tempo, tomou sobre si a natureza humana com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns, contudo sem pecado, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da Virgem Maria e da substância dela. As duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas - a Divindade e a humanidade - foram inseparavelmente unidas em uma só pessoa, sem conversão composição ou confusão; essa pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém, um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem.

O Senhor Jesus, em sua natureza humana unida à divina, foi santificado e sem medida ungido com o Espírito Santo tendo em si todos os tesouros de sabedoria e ciência. Aprouve ao Pai que nele habitasse toda a plenitude, a fim de que, sendo santo, inocente, incontaminado e cheio de graça e verdade, estivesse perfeitamente preparado para exercer o ofício de Mediador e Fiador. Este ofício ele não tomou para si, mas para ele foi chamado pelo Pai, que lhe pôs nas mãos todo o poder e todo o juízo e lhe ordenou que os exercesse.

Este ofício o Senhor Jesus empreendeu mui voluntariamente. Para que pudesse exercê-lo, foi feito sujeito à lei, que ele cumpriu perfeitamente; padeceu imediatamente em sua alma os mais cruéis tormentos e em seu corpo os mais penosos sofrimentos; foi crucificado e morreu; foi sepultado e ficou sob o poder da morte, mas não viu a corrupção; ao terceiro dia ressuscitou dos mortos com o mesmo corpo com que tinha padecido; com esse corpo subiu ao céu, onde está sentado à destra do Pai, fazendo intercessão; de lá voltará no fim do mundo para julgar os homens e os anjos.

O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício que pelo Eterno Espírito, ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente à justiça do Pai. e para todos aqueles que o Pai lhe deu adquiriu não só a reconciliação, como também uma herança perdurável no Reino dos Céus.

Ainda que a obra da redenção não foi realmente cumprida por Cristo senão depois da sua encarnação; contudo a virtude, a eficácia e os benefícios dela, em todas as épocas sucessivamente desde o princípio do mundo, foram comunicados aos eleitos naquelas promessas, tipos e sacrifícios, pelos quais ele foi revelado e significado como a semente da mulher que devia esmagar a cabeça da serpente, como o cordeiro morto desde o princípio do mundo, sendo o mesmo ontem, hoje e para sempre.

Cristo, na obra da mediação, age de conformidade com as suas duas naturezas, fazendo cada natureza o que lhe é próprio: contudo, em razão da unidade da pessoa, o que é próprio de uma natureza é às vezes, na Escritura, atribuído à pessoa denominada pela outra natureza.

Cristo, com toda a certeza e eficazmente aplica e comunica a salvação a todos aqueles para os quais ele a adquiriu. Isto ele consegue, fazendo intercessão por eles e revelando-lhes na palavra e pela palavra os mistérios da salvação, persuadindo-os eficazmente pelo seu Espírito a crer e a obedecer, dirigindo os corações deles pela sua palavra e pelo seu onipotente poder e sabedoria, da maneira e pelos meios mais conformes com a sua admirável e inescrutável dispensação.

Rev Marcio Tenponi Pacheco

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Os Princípios da Reforma – parte I

Introdução

A Reforma Protestante do século XVI tem como seu marco histórico inicial uma atitude de um monge chamado Martim Lutero. No dia 31 de Outubro de 1517 Lutero afixou na porta da catedral de Wittenberg, na Alemanha, suas 95 teses. Esta atitude era a forma daquele tempo para convidar pessoas interessadas ao debate sobre um determinado tema.

As 95 teses de Lutero tinham como tema central à questão das indulgências e ninguém se prontificou a debater com Lutero o tema, porém, sua atitude trouxe profundas implicações, pois em pouco tempo as 95 teses foram conhecidas por quase toda a Alemanha. E isto, como também outros escritos seus, culminaram na sua ex-comunhão da ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana).

A Reforma foi um movimento amplo e perfez inúmeras implicações na vida religiosa, moral, ética, econômica, política e etc... A Reforma como movimento religioso, apresentou cinco princípios fundamentais, que são conhecidos através de expressões em latim: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria.

Destarte, é importante ressaltar que a atitude de Lutero e dos outros reformadores, que culminaram nos cinco princípios da Reforma, atingiram o cerne do problema existente na ICAR, a saber: o distanciamento da Palavra de Deus, das Escrituras. A ICAR ao se distanciar das Escrituras estava apresentando inúmeros desvios e males.

É por isso que hoje iniciaremos o estudo sobre os cinco princípios da Reforma apresentando como primeiro princípio o Sola Scriptura, que significa “Somente a Escritura” ou a autoridade e suficiência das Escrituras.bíblia

1º Princípio: Sola Scriptura - “Somente a Escritura” ou a autoridade e suficiência das Escrituras

1) A Autoridade

O princípio Sola Scriptura em primeiro lugar aponta para uma importante questão, a Autoridade das Escrituras. A ICAR entendia, e entende até hoje, que a Bíblia é a Palavra de Deus e é importantíssima. Porém, ao lado das Escrituras, no mesmo nível de importância e autoridade, coloca a tradição. A tradição são as decisões dos diversos concílios e do Papa, quando este fala oficialmente (ex cathedra) em matéria de fé e moral.

É justamente neste aspecto que há uma imensa divergência entre os postulados reformados e a ICAR. Os reformadores e as igrejas oriundas da Reforma entendem que as Escrituras, a Palavra de Deus, é a única regra de fé e prática, ou seja, não há nada que tenha a mesma importância e autoridade que as Escrituras.

É importante ressaltar que isto não quer dizer que os reformadores negaram e negligenciaram a história, as decisões dos concílios e os costumes da Igreja de Cristo. Os reformadores entenderam que tudo isto era importante, no entanto, deveriam ser colocados sob a autoridade das Escrituras, deveriam ser entendidos, aceitos e avaliados a partir das Escrituras.

A autoridade das Escrituras é intrínseca para os reformadores, não depende da Igreja ou qualquer pessoa assentir a Sua autoridade. Isto porque, como diz 2 Pedro 1,21, ela foi escrita por homens santos inspirados pelo Espírito Santo e assim, é a revelação do próprio Deus.

2) A Superioridade das Escrituras

Outra questão importante apresentada neste princípio é a superioridade das Escrituras. A própria Palavra de Deus mostra, como no Salmo 19,1-2, que Deus é revelado através de toda a criação. No entanto, esta revelação não é suficiente para a salvação. Esta só é possível através da Revelação Especial de Deus, ou seja, a Sua Palavra, as Escrituras.

Isto também é visto na própria Palavra de Deus, em vários versículos. No Salmo 19 mesmo isto é mostrado nos vv.7-11. Também em 2 Timóteo 3,16-17; Romanos 15,4. Assim, conseguimos entender mais acuradamente o que é a Palavra de Deus. Ela é a revelação de Deus, a revelação de Deus salvando o ser humano.

3) O Centro das Escrituras e a sua Chave

As Escrituras possuem apenas um centro, ou seja, tudo gira em torno de uma pessoa apenas, Jesus Cristo. Em toda a Escritura Cristo está presente, pois Ele é o centro. Ademais, a chave de leitura da Palavra de Deus é também Cristo, ou seja, para entendermos as Escrituras é preciso saber que Jesus Cristo é o meio pelo qual isto é possível. Ele mesmo disse isto em João 5,39.

4) O livre exame

Os reformadores também apresentaram uma importante questão, o livre exame. A ICAR entendia que a Bíblia não devia ser lida pelos leigos, porque julgava que eles não seriam capazes de entender, como também, seria até perigoso deixar que qualquer pessoa lesse.

Foi na Reforma que as Escrituras passaram a ser traduzidas para as línguas vulgares, pois os reformadores acreditavam que Deus, através do Espírito Santo, iluminava a mente e os corações dos pios crentes.

É importante ressaltar que o livre exame não é uma licença para que cada um faça a sua interpretação subjetiva e exclusivista, porque Deus não é Deus de confusão, de ambigüidade. Por isso, a história da Igreja é importante, por isso Deus levanta, até hoje, homens escolhidos para equipar, aperfeiçoar e ensinar a Igreja, como nos mostra Efésios 4,11-12.

Além disto, uma regra importante que os reformadores nos deixaram para a interpretação das Escrituras é: Doutrina não é formada a partir de apenas um versículo e também, a Escritura interpreta a própria Escritura, ou seja, os versículos mais claros esclarecem os mais obscuros.

5) Implicações hodiernas

Hoje em dia a Bíblia alcançou um nível de divulgação elevadíssimo. O que poderia nos acalmar e nos fazer entender que o princípio de Sola Scriptura não seja mais tão importante quanto o foi. Todavia, hoje também é o tempo que este princípio deva ser relembrado, vivido e entendido, porque apesar da grande divulgação, as Escrituras têm sido cada vez mais deixadas de lado. Isto de duas maneiras, basicamente:

a) Pelos conhecidos como liberais, que atacam e tentam com grande força destruírem a autoridade da Palavra de Deus, afirmando que nela há erros e coisas do tipo.

b) Pelos neo-pentecostais, que apesar de lerem versículos bíblicos, fazem pregações e ensinam muitas coisas que são contraditórias ao ensino das Escrituras, ou pregam apenas mensagens de auto-ajuda, para alegrar pessoas e apaziguar os corações. Além disto, também apresentam profecias e revelações que não estão na Bíblia, que contradizem a Bíblia e muitas vezes ganham notoriedade, importância e autoridade igual a da Palavra de Deus.

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Conclusão

Para concluir, vamos mostrar o que a Confissão de Fé de Westminster fala a respeito da Bíblia:

Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo.

Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, que são os seguintes, todos dados por inspiração de Deus para serem a regra de fé e de prática:

A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a palavra de Deus.

Pelo testemunho da Igreja podemos ser movidos e incitados a um alto e reverente apreço da Escritura Sagrada; a suprema excelência do seu conteúdo, e eficácia da sua doutrina, a majestade do seu estilo, a harmonia de todas as suas partes, o escopo do seu todo (que é dar a Deus toda a glória), a plena revelação que faz do único meio de salvar-se o homem, as suas muitas outras excelências incomparáveis e completa perfeição, são argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a palavra de Deus; contudo, a nossa plena persuasão e certeza da sua infalível verdade e divina autoridade provém da operação interna do Espírito Santo, que pela palavra e com a palavra testifica em nossos corações.

Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas.

Na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvação, em um ou outro passo da Escritura são tão claramente expostas e explicadas, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso dos meios ordinários, podem alcançar uma suficiente compreensão delas.

O Velho Testamento em Hebraico (língua vulgar do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em Grego (a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal; mas, não sendo essas línguas conhecidas por todo o povo de Deus, que tem direito e interesse nas Escrituras e que deve no temor de Deus lê-las e estudá-las, esses livros têm de ser traduzidos nas línguas vulgares de todas as nações aonde chegarem, a fim de que a palavra de Deus, permanecendo nelas abundantemente, adorem a Deus de modo aceitável e possuam a esperança pela paciência e conforto das escrituras.

A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente.

O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura.

Rev. Marcio Tenponi Pacheco

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

REFORMA HOJE ?

95Thesen

No próximo dia 31 comemoramos o aniversário da Reforma Protestante. Isto porque um monge chamado Martinho Lutero (1483-1546) discordou da ordem estabelecida pela Igreja Apostólica Católica Romana e fixou 95 teses na igreja de Wittenberg, como a tradição normalmente aponta, no dia 31 de Outubro de 1517.

Contudo, a Reforma Protestante não ficou restrita apenas ao âmbito religioso, ela alçou praticamente todos os aspectos e âmbitos da vida. A Reforma Protestante mudou as relações na política, na economia, na ordem social, na ordem educacional etc. Ademais, a Reforma Protestante também foi de encontro aos anseios e vicissitudes que o povo da sua época desejava. O povo estava sofrendo por vários motivos e necessitava de respostas, consolo, palavras e amor. A Reforma Protestante impactou e mudou a vida de muitas pessoas.

É evidente que a Reforma Protestante não foi o único movimento existente em sua época, também não foi a única influência para as diversas mudanças ocorridas. No entanto, é inegável que ela tenha participado de forma imarcescível.

E isto é motivo para nós presbiterianos nos orgulharmos, pois somos descendentes deste maravilhoso movimento histórico, que na realidade foi um movimento feito por Deus no curso da história da humanidade.

 Reforma hojeTodavia, é importante refletirmos sobre a seguinte assertiva: aqueles homens foram levantados por Deus em suas épocas para serem instrumentos poderosos em Suas mãos, hoje nós temos esta responsabilidade. Como se diz popularmente, “quem vive de passado é museu”, nós não podemos viver apenas do saudosismo, precisamos tomar consciência e trabalhar hoje para promover um movimento atual para transformarmos a realidade hodierna.

Logo, diante desta comemoração importante, temos que avaliarmos a nossa posição, a nossa postura e a nossa vida. Estamos de fato fazendo jus ao status de descendentes da Reforma Protestante?

É algo a se pensar e refletir.

Do seu pastor,

Rev. Marcio Tenponi Pacheco

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©2007 '' Por Elke di Barros